A guerra da mente: memórias vs. época
O que conta como memória, e quem a molda — sobre as épocas da mídia que sufocam as pequenas memórias pessoais, e por que vale a pena guardar a menor das lembranças.
Vamos falar de memória: a sua, a minha e a que a mídia nos diz que ela deveria ser.
Em nossa sociedade em rápida transformação: “O que constitui uma memória, e quem a molda?”
No que me diz respeito, essa pergunta reflete sobre a influência difusa da cultura ocidental e da mídia onipresente, de criadores do TikTok a veículos de imprensa, na formação da minha memória.
Artistas renomados como Andy Warhol, de Nova York, foram imortalizados em nossa memória cultural, mas por que concedemos esse privilégio? Isso lembra a ubiquidade da influência ocidental em nossa consciência, que se estende do nosso dia a dia à paisagem cultural mais ampla. Seja qual for seu tamanho, a mídia disputa persistentemente nossa atenção, buscando moldar nossa percepção e, por consequência, nossas memórias.
Quando foi que as notícias presidenciais, a musiquinha da Vila Sésamo, as promoções da Black Friday, os figurinos do Met Gala, Hollywood ou o Natal passaram a representar a memória coletiva, um “padrão”, a ocupar espaço em nossos diálogos e a competir com nossas lembranças, nossas conversas? Essas experiências compartilhadas viraram épocas, diminuindo o significado das nossas pequenas memórias pessoais. Mas não são esses momentos cotidianos e negligenciados que moldam quem realmente somos?
O desafio está em reconhecer a beleza do nosso cotidiano e aceitar que cada memória, seja qual for sua escala, tem seu valor único. E é legítimo guardar a mais ínfima lembrança e, talvez, não estar por dentro de todas as tendências. Precisamos reavaliar como valorizamos e compartilhamos nossas memórias, deslocando o olhar dos holofotes da consciência pública para os cantos íntimos das experiências pessoais. Atenção é 💎, e nossa capacidade é limitada.