Como cinquenta pessoas viraram quinze fotografias
Sobre a edição de Come Get Your Honey: por que a maior parte do trabalho nunca chegou ao livro, e as fotografias deixadas de fora de propósito.
Quase cinquenta pessoas estão por trás de Come Get Your Honey. Cerca de quinze retratos compuseram a série finalizada. Às vezes me perguntam o que aconteceu com o restante, e a resposta honesta é que a edição foi a parte mais difícil do trabalho — e também a mais ética.
Quando as imagens se escolhem
No início da edição, notei algo que soa místico, mas é, na verdade, apenas reconhecimento de padrões correndo à frente da intenção: as imagens pareciam se escolher mutuamente. Um retrato exigia, ao lado, uma determinada fotografia da cidade. Um quadro silencioso tornava impossível um quadro ruidoso. Viviane Sassen tem uma ideia relacionada que ficou comigo, a de que uma única imagem pode moldar a estética de todo um corpo de trabalho. Assim que algumas imagens se encaixaram entre si, elas definiram a temperatura para tudo o mais, e fotografias de que eu gostava isoladamente simplesmente não tinham lugar naquele clima.
Essa é uma razão pela qual cinquenta pessoas viraram quinze fotografias. A outra razão pesa mais.
As fotografias que guardei
Algumas das pessoas que fotografei ainda não haviam se assumido para suas famílias, ou haviam se assumido em uma parte da vida e não em outra. Uma fotografia pode ser um presente em um ambiente e um perigo em outro.
Por isso há imagens que guardei de propósito — imagens fortes, imagens que eu penduraria com prazer em uma parede — porque a pessoa retratada ainda preservava uma parte de si diante de pessoas que um dia poderiam ver o livro. A série mistura visibilidade e anonimato deliberadamente: algumas pessoas colaboradoras queriam ser plenamente vistas, outras queriam estar presentes sem ser identificáveis, e as duas escolhas moldaram a edição tanto quanto qualquer decisão formal.
É assim que o consentimento se manifesta na prática. Não é uma assinatura em um termo de autorização no início do processo. É uma sucessão de decisões que continuam muito depois do clique — na edição, no livro, em cada exposição desde então.
Contra o trabalho de paraquedas
Há uma forma de fotografar comunidades que penso como trabalho de paraquedas: chegar, extrair os quadros mais dramáticos, partir, publicar. As fotografias costumam ser tecnicamente fortes. As pessoas nelas raramente se reconhecem.
A edição lenta é o oposto disso. Quando se passam anos com pessoas, acumulam-se fotografias demais, e o excedente obriga a perguntar, para cada quadro, para que ele serve e a quem serve. Cinquenta pessoas, quinze fotografias. O vão entre esses números não é desperdício. É o trabalho.
Come Get Your Honey é publicado pela Kehrer Verlag — a série completa está aqui.